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O ARTISTA ARTEIRO


Luquinhas sempre foi muito ligado às artes, mesmo não sabendo muito bem como funciona esse negócio de pintar. Às vezes, se deparava com um quadro destes chamados de “abstratos” e ficava pensando se não poderia fazer exatamente a mesma coisa.

Sabe aquelas pessoas que “enxergam” alegria, tristeza e várias mensagens numa pintura que mais parece um monte de borrões e rabiscos? Luquinhas não era assim, não. Ele enxergava só borrões mesmo... e achava o máximo, pois sempre gostou de uma bela bagunça.

Certo dia, pediu para seus pais que comprassem tinta e tela de quadro. Sua mãe, a dona Helena, foi buscar as coisas na papelaria e Luquinhas se pôs a testar seus dotes artísticos.

Composição de cores, perspectivas, harmonia. Tudo isso é muito bonito de se ver e é muito importante num quadro, mas exige estudo e prática. Luquinhas nunca foi muito de estudar e, menos ainda, de praticar. Apenas deitou a tela no chão e foi jogando tinta. Depois, espalhou tudo com as mãos, pisou em cima, foi fazendo aquela lambança e - voilá! - saiu seu primeiro quadro “abstrato”.

Gostou do que fez e pensou se não poderia inovar. Quem sabe o que molho de tomate poderia fazer? Que tal jogar ovos na tela e incrementar com farinha? E barro? Aliás, por que se limitar à tela do quadro se poderia espalhar “arte” pelas paredes do quarto também?

A brincadeira estava até muito divertida, até que chegou a dona Helena, que viu tudo aquilo e abriu o maior berreiro! Luquinhas ficou de castigo e teve de limpar a bagunça que fez. Artista coisa nenhuma, né? Luquinhas é só arteiro mesmo.

DESASTRE NA COZINHA


Fazia tempo que o Luquinhas sentia fome. Não fome de verduras, de frutas... mas de bolo de chocolate. Sua mãe, a dona Helena, tinha hábitos saudáveis e evitava fazer doces.

– Posso fazer gelatina, se quiser! Que tal uma salada de frutas bem gostosa?

Nem pensar! Luquinhas não estava aberto a negócios. Queria bolo de chocolate, ponto e acabou.

Um dia, dona Helena foi fazer compras e deixou o Luquinhas jogando vídeo-game. O garoto aproveitou a deixa para testar seus “dotes culinários”. Encontrou uma receita de bolo de chocolate na internet e logo pensou: “olha só! Muito fácil!”

E pôs a mão na massa. Ligou a batedeira de bolo e foi jogando ali a farinha, os ovos, o fermento. Já viram um canhão em ação? A batedeira fez uma coisa parecida, atirando melecas de farinha com ovos por toda a cozinha. Luquinhas tentava se proteger dos “ataques” de meleca usando uma tampa de panela como escudo, mas havia sujeira nas paredes, no chão, nos móveis, até na cara do Luquinhas. Um furacão que passasse por ali teria provocado menos estragos.

Luquinhas, teimoso como sempre, não desistiu. Pegou umas maçarocas do chão e foi jogando no forno elétrico. Devia ter exagerado no fermento, pois aquela massa foi crescendo e tomando todo o espaço do forno. Um cheiro de coisa queimada empesteou a casa toda, pois o forno entrou em curto-circuito e quase pegou fogo. Que desastre!

No fim, Luquinhas tomou um belo sermão e, por castigo, foi proibido de jogar vídeo-game por uma semana. Pelo menos, ganhou um pedaço de bolo de chocolate que seu pai havia trazido de uma festinha de aniversário da empresa em que trabalhava. Se tivesse ficado quietinho antes, Luquinhas estaria comendo bolo de chocolate enquanto jogava vídeo-game.

FESTINHA DE ADULTO


Festinhas costumam ser bem legais, né? A gente bate papo, dá risadas, come os salgadinhos, os docinhos, bebe muito refrigerante e brinca pra valer.

Só que o Luquinhas foi convidado para uma festa de adulto. Aniversário de um dos primos de seu pai que Luquinhas nunca conheceu antes.

– Vai ser divertido! - prometeu seu pai - O primo é um cara muito engraçado!

Pois bem. Não era nada disso. Pra começar, o primo era do tipo que só contava piada velha. E sem graça.

– Conhece a piada do pintinho? É assim: “PIU”!
– Por que a senhora usa relógio? Porque está “sem hora”!
– Sabe o que a galinha com febre botou? Um ovo cozido!

Depois, reclamava de quase tudo: do governo, do time de futebol, da empresa em que trabalhava. Essas conversas podem agradar aos adultos, sei lá! Mas o pobre Luquinhas estava sobrando nesta história. E onde estavam as outras crianças? Cadê os salgadinhos e os refrigerantes? Só tinha daquelas bebidas amargas que só os adultos podiam beber.

O tempo passou e a festinha havia, finalmente, acabado. Todos se despediram uns dos outros, mas, na hora de chamar o Luquinhas, onde foi parar o garoto? Sumiu de vista e não avisou ninguém. Procuraram por toda parte... e nada. Ficaram todos preocupados. Até telefonaram para a polícia.

Quanto ao Luquinhas, estava no porão da casa, se divertindo pra valer com uma pilha de gibis velhos que encontrou numa caixa de papelão. Estava tão entretido com a leitura que nem ouviu chamarem pelo seu nome.

Mas os adultos não precisavam se preocupar. Quando terminar de ler os cinquenta gibis que faltavam, Luquinhas vai aparecer. Tenham calma!

PALAVRAS DIFÍCEIS


Defenestrar significa atirar alguém ou alguma coisa pela janela, com bastante força. Conspurcar é um verbo esquisito que significa, simplesmente, sujar. Você já leu essas palavras antes em qualquer outro lugar?

Certo dia, Luquinhas encontrou essas palavras num livro e, quando foi tentar entender o significado delas no dicionário, abriu aquele sorrisão maroto. Imaginou-se tirando onda da cara de seus amigos.

– Laís, você sabe defenestrar?
– Como é que é?!
– Defenestrar! Você parece saber defenestrar! Ou estou enganado? É bem fácil! Ontem mesmo, defenestrei meu caderno de matemática com vontade!

Laís fez uma cara de espanto tão engraçada que Luquinhas saiu dando gargalhadas por um bom tempo, até que encontrou o Toninho.

– Ei, Toninho! Sua mãe sabe que você conspurca suas camisetas enquanto pinta quadros?
– Que eu... o que?!
– Não adianta negar! Sei que você já conspurcou várias camisetas e não contou pra sua mãe!
– Nunca fiz isso na minha vida! Tá louco, é? Nem sei o que é conspurcar!

E, mais uma vez, Luquinhas começou a maior gargalhada. E foi divertido, até que se encontrou com a Jaci, tentou zoar e tomou essa:

– Luquinhas! Sabia que você é um tanto enfastioso?

Enfastioso é uma palavra complicada que significa irritante, chato. Luquinhas até tentou se portar como se soubesse o significado, mas acabou se rendendo e deixando de lado a brincadeira.

Está vendo? Nossa língua portuguesa pode proporcionar umas experiências bem interessantes, né?

EXPLORADORES DO MATAGAL


O grupo estava ficando impaciente. Já fazia um tempão que estavam explorando o maior matagal da cidade, desde que Luquinhas “encucou” que havia uma caverna no meio do nada, cheia de tesouros.

Luquinhas reuniu a galera mais corajosa da classe. Pelo menos, quando perguntou: “quem aqui é corajoso de verdade para explorar uma floresta?”, todos levantaram as mãos. Agora, estavam ali, às cegas, dentro do matagal, procurando por uma caverna que, provavelmente, não passava de lenda. E, para piorar, o sol estava se pondo rapidinho.

– Estamos perdidos? - perguntou Toninho.
– Estamos chegando! É logo ali! Ou logo acolá! - garantiu Luquinhas.

E não é que, logo acolá, encontraram mesmo uma caverna? O problema é que ninguém se atreveu a entrar. Vai-se lá saber o que encontrariam dentro daquele buraco. Uma cobra? Morcegos? Um monstro? Ora! Monstros não existem!

Existem, sim! Pelo menos, o que saiu daquela caverna escura parecia um “Abominável Homem das Neves”, apesar do calorão e do fato de nunca ter nevado por ali. Era uma criatura assustadora, com uma barba enorme, cabeleira cinza tão grande que tocava no chão, balbuciando alguma coisa que ninguém entendeu... e nem fez questão de entender, pois já estavam todos correndo para bem longe dali.

No dia seguinte, Luquinhas e sua turma de aventureiros estavam em todos os jornais da cidade:

“Garotos corajosos encontram idoso perdido no matagal”.

Depois, ficaram sabendo que o tal idoso era, na verdade, um ermitão que havia “se perdido” de propósito para fugir do agito da cidade. Mas, e daí? “Heróis” salvam a todos sem olhar a quem, não é verdade?

DESAFIO DO TAPA NA NUCA


Desafiaram o Luquinhas a dar um tapa na nuca do Gérson e sair vivo para contar a história. O problema é que Gérson é o maior aluno da classe, tanto em altura quanto em largura. E quase nunca está de bom humor.

Tudo começou quando Luquinhas, com sua língua enorme, garantiu para meia dúzia de colegas de classe que não tinha medo de nada. Muito menos do Gérson. E deu no que deu.

Agora, Gérson estava há apenas dois passos do Luquinhas, sentado distraidamente num banco, sem suspeitar de nada. O tapa tinha de acontecer ali e agora! Estavam todos de olho.

Luquinhas, então, sacou uma caneta de um dos bolsos da calça, pintou um pequeno ponto preto na palma da mão e - VAPT! - meteu um tapa bem dado no meio da nuca do Gérson.

 O que é isso, moleque? Perdeu o amor à vida? Vou te arrebentar agora! - disse Gérson, babando de raiva.
 Mas, Gérson! Me arrebentar por quê, se acabei de salvar a sua vida? - questionou Luquinhas.

A desculpa foi bem esfarrapada. Disse que um mosquito venenoso havia pousado em sua nuca e o tapa o salvou de uma picada. Para “provar”, mostrou a palma da mão e lá estava o ponto preto:

 Olha aqui, o mosquito esmagado!

Gérson pensou um pouco. Pouco mesmo, pois não era de pensar muito. Acabou acreditando. Agradeceu e só lhe pediu que, da próxima vez, batesse mais fraco.

Luquinhas saiu de cena com o peito estufado, passando, com aquele olhar superior, diante dos chocados colegas de classe que não acreditavam no que acabaram de ver. Depois, entrou no banheiro e, vejam só: nem notou o xixi que fez nas calças há poucos minutos.

SEQUESTRO ALIENÍGENA


Era uma tarde ensolarada. Eu estava caminhando pelo bosque da cidade quando dei de cara com uma criatura verde, feio feito lagartixa com cara de barata, de grandes olhos esbugalhados e com uma cabeça enorme, maior do que a cabeça do meu tio Zózimo.

Tentei fugir, mas a criatura sacou uma engenhoca, não sei de onde, e disparou um raio em mim. O raio não me desintegrou, nem me transformou numa lesma extraterrestre; mas, quando abri os olhos, estava dentro de um disco voador!

Ao meu lado, o ser alienígena que me abduziu me observava com uma enorme lente de aumento. Quase gritei de susto, mas ele pediu, em português bem claro, que me acalmasse. Vejam só! O sujeito esquisito e feioso sabia falar a nossa língua!

Ele perguntou meu nome. Respondi, educadamente, quando, de repente, o alienígena bateu uma de suas quatro mãos na própria testa, fazendo cara de espanto, e saiu correndo em direção aos controles do disco voador para me devolver ao planeta Terra.

Pensei que fosse por algo que eu havia dito, mas ele me explicou que, na verdade, estava atrás de seu sobrinho fujão chamado Kukinhas, e que se parecia muito comigo.

Saí tão aliviado dessa confusão, que nem me toquei de que o alienígena me confundiu com outra criatura verde e feia como ele só. 

Fim.


 Muito bem, Luquinhas! Gostei da sua redação! Tirou dez!
 Puxa! Obrigado, professora!

Tirar dez não é uma coisa que acontece com frequência na vida do Luquinhas. Dá pra imaginar, então, o quanto ficou feliz com o desfecho dessa história.

DESCULPINHAS ESFARRAPADAS


Pobre Luquinhas! Acontece cada coisa com ele, que vou te contar, viu! Especialmente quando tem lição de casa num fim de semana.

Uma vez, foi o cachorro que comeu seu caderno inteirinho. A lição de matemática estava toda lá. Luquinhas até levou o caderno rasgado para “provar” que estava falando a verdade. Outra vez, Luquinhas teria sofrido um acidente e quebrado o braço numa sexta-feira. Se não dava pra escrever nada, como faria a lição de português? E, se acha que foi um problema explicar como o mesmo braço estava curado logo na segunda-feira, você não conhece bem o Luquinhas. Ele explicou que uma pomada milagrosa, que ainda não tinha nas farmácias pois estava em “fase de testes”, foi aplicada no braço quebrado e o deixou novinho em folha. E teve aquela vez em que foi abduzido por um disco voador e não deu para entregar a lição de artes.

Luquinhas sempre contava uma dessas. Quase nunca repetia estórias. Uma vez, morreu um bichinho de estimação muito querido e o luto foi demais para ele se preocupar com a lição de ciências. Outra vez, teria sido chamado para uma missão do Governo tão secreta que não podia dar “maiores detalhes”, e não deu pra entregar a lição de música. E, de vez em quando, algum tio distante vinha visita-lo e leva-lo para alguma viagem. Eita, Luquinhas! Que agenda agitada, hein!

Nunca funcionava, é claro! A professora, sempre muito paciente, ouvia todo o papo furado. Mas, no final, o resultado era sempre o mesmo:

 Luquinhas! Nota zero!

Mesmo assim, Luquinhas continua tentando até hoje. Pelo menos, é craque em redação. Afinal, uma imaginação tão fértil e essa facilidade para contar estórias só poderiam render textos bem criativos, né?

NOITE ASSOMBRADA


Essa é uma história assustadora! Digo, não é daquelas que tiram o nosso sono, sabe? Ou, talvez, até tire. Não sei. Depende do medo que você tenha do guarda-roupa do seu quarto.

Como alguém pode ter medo de um guarda-roupa? Oras! Todos nós podemos, especialmente quando o guarda-roupa começa a se mexer sozinho e chamar pelo nosso nome no meio da madrugada escura.

Já ouviu falar que os guarda-roupas não servem só para guardar nossas roupas? Que eles podem ser portais para universos paralelos, que dão em florestas encantadas, de fadas, bruxas e duendes? Não?! Nem eu!

Mas teve uma noite em que o guarda-roupa do quarto do Luquinhas começou a se mexer sozinho e chamar por ele:

 Luquiiiiiiiinhas! Acorda, Luquinhas!

No começo, Luquinhas nem deu bola. Apenas se enfiou nos cobertores, abraçou bem forte o travesseiro e ficou tremendo igual vara verde. Depois de um tempo (e com muito calor por ficar debaixo dos cobertores numa noite quente de rachar), ele tomou coragem - pelo menos um pouquinho -, saiu da cama e caminhou em direção ao guarda-roupa, de olhos bem fechados para evitar ver algum fantasma pelo caminho. Ao abrir a porta do guarda-roupa, uma luz muito forte invadiu todo o quarto. Luquinhas até acordou.

Era só um sonho, vejam só! Quem estava chamando por ele era sua mãe, pois já tinha passado da hora de se levantar para ir para a escola. Para apressar o dorminhoco, ela ligou a luz do quarto. Mãe tem dessas coisas.