Ele é uma unanimidade no mercado de quadrinhos brasileiros; uma figura mitológica do cartunismo nacional; uma referência internacional e grande fonte de inspiração para muitos artistas de nossa época (nem preciso ressalvar – embora o esteja fazendo – que Mauricio de Sousa é minha maior fonte de inspiração, né?).

Falar dele e de sua prole de incontáveis personagens é até clichê em um blog que, direta ou indiretamente, trate de quadrinhos e cartuns. Além disso, como fã de carteirinha (com uma pontinha de inveja, confesso) deste grande expoente da cultura nacional, escrever sobre ele e seu trabalho se revela uma atividade bastante atraente. E é exatamente sobre este assunto que tratarei neste espaço.



UMA RÁPIDA BIOGRAFIA
Mauricio de Sousa nasceu em Santa Isabel, uma cidadezinha de interior, e foi criado em Mogi das Cruzes, outra cidade do interior paulista. Como de cada 10 desenhistas, 9,99 começam a carreira rabiscando cadernos e folhas de papel desde moleque, em especial na escola, Mauricio também cabulava aulas para desenhar. E foi nessa época que ele criou seu primeiro personagem: o Capitão Picolé (do qual imagino que o leitor não conheça, a menos que tenha lidoLOSTINHO: Perdidinhos nos Quadrinhos).

Já crescidinho e à procura de emprego, Mauricio muda-se pra grande capital de São Paulo tentando a vida de desenhista. Mas, com essa desvalorização toda sobre a arte nacional, Maurício não conseguiu nada com quadrinhos; claro! Deram-no só um serviço de repórter policial no jornal Folha da Tarde... e que se desse por feliz! Ele topou... mas não desistiu do grande sonho de ser um desenhista rico e famoso. Ao invés de sair procurando notícias, ficava escondido desenhando e indo atrás de pessoas que quisessem publicar suas artes.

Acabou conseguindo um espacinho na própria Folha da Tarde, que passou a divulgar suas tirinhas no finalzinho da década de 50. E deviam pagar bem, pois o jovem Mauricio largou o emprego de repórter policial pra ser só ilustrador do jornal. Em 1970, lançou sua primeira revistinha com a personagem Mônica e, bem... a partir daí, todo mundo já imagina o que se sucedeu: sucesso nacional e internacional, contratos milionários para licenciar seus personagens em propagandas, desenhos animados nos cinemas etc. Vale dizer que Mauricio de Sousa tem um faro pra negócios impressionante; um empreendedor de mão cheia.

Atualmente, fora as historinhas do dinossauro Horário, Mauricio de Sousa não desenha mais nada. Suas atividades se limitam a assinar os desenhos de sua equipe de desenhistas e contar o dinheiro do empreendimento que cai na sua conta bancária. Tudo o mais é gerenciado por seus filhos, em especial, a própria Mônica. Ademais, Mauricio é um progenitor incansável: tem 10 filhos, atualmente, sendo que 5 viraram personagens (Magali, Mônica, Marina, Do Contra e Nimbus).



A FAMOSA TURMINHA
Além da Turma da Mônica, que conta com seus personagens mais famosos (vocês sabem: Cascão, Cebolinha, Magali, Mônica e uma penca de personagens secundários, como o Louco, o Nimbus, o Do Contra, a Marina, o Anjinho etc.), Mauricio de Sousa é “pai” de muitos outros personagens. Dá pra dividir este tema em vários grupos de turmas de personagens:

- Turma do Bidu: um cachorro azul, que fala com as pedras, as árvores, os palitos de sorvete e, muitas vezes, até com os próprios desenhistas da história. É uma turma de poucos personagens fixos, mas alguns aparecem bastante: Manfredo, Duque, Bugu, Zé Esquecido e Dona Pedra, por exemplo.

- Turma do Chico Bento: são crianças que vivem numa roça paradisíaca, onde não há preocupações, violência, correria... tudo numa santa paz de dar inveja. A única coisa que preocupa o Chico Bento são as aulas da professora Marocas (que, aliás, é a única professora da roça). Temos, ainda, a Rosinha (namoradinha do Chico), o Hiro, o Zé Lelé, o Zé da Roça, o Nhô Lau, o Padre Lino, a Vó Dita e outros não muito fixos.

- Turma do Horácio: composta de personagens dinossauros, sendo o próprio Horácio um tiranossauro vegetariano (tudo é possível nos quadrinhos) meio metido a filósofo, com historinhas sem muito enredo, mas muita lição de vida. Apesar de quase sempre aparecer sozinho, Horário tem uma namoradinha (a Lucinda) e um amigo fiel: Tecodonte.

- Turma do Piteco: é um personagem pré-histórico, convivendo com dinossauros, caçando e se metendo em confusões com a própria caça, na pacata aldeia de Lém. Além do Piteco, temos a Thuga (que sonha em se casar com ele), o Bolota e os bandidões Zum e Bum (que não costumam aparecer junto com o Piteco, mas em historinhas próprias).

- Turma da Tina: são adolescentes baladeiros, namoradeiros e de bem com a vida (sustentados pelos seus respectivos pais, claro!), cujas histórias retratam mais a vida dos jovens conforme a época. Tina e Rolo, por exemplo, já foram hippies nos anos 70. Além desses, temos o Zecão, a Pipa e os namorados da Tina (que, em cada história, aparece um – mas o Jaime me parece ser o mais, digamos, “fixo”).

- Turma do Penadinho: historinhas do além-vida, com personagens monstros e fantasmas. Até o Capiroto, em pessoa, aparece de vez em quando pra bater um papinho com a turma. Penadinho é uma alma penada que vive num cemitério, em eterno purgatório, junto com seus amigos: Zé Vampir, Lobisomem, Cranícola, Frank, Muminho, Alminha e a própria Dona Morte.

- Turma da Mata: é uma turminha literalmente animal, vivendo num matagal governado por um leão de nome Rei Leonino. Não tem, exatamente, um personagem principal com outros secundários, mas o Jotalhão (um elefante verde), o Coelho Caolho, a Rita Najura e uma raposa de nome Raposão aparecem quase sempre.

- Astronauta: é um viajante do espaço sideral, embaixador da Terra, sempre se metendo em encrencas com os alienígenas. Poderia viver histórias cheias de aventuras legais, mas, infelizmente, Astronauta não pára de se lamentar por perder a namorada Ritinha (numa autocompaixão sem fim) e reclamar da vida monótona que leva no espaço.

- Turma do Papa-Capim: é uma turminha de índios, vivendo suas aventuras com a tribo em plena floresta amazônica. Além do próprio Papa-Capim, temos o Cafuné, o Pajé, a Jurema e alguns personagens não fixos.

- Turma da Mônica JOVEM: a mais nova produção bem sucedida da Mauricio de Sousa Produções. Trata-se da própria Turma da Mônica, só que com os personagens principais crescidos, adolescentes, vivendo conflitos e situações típicas dessa fase da vida. É um contexto totalmente diferente do universo Turma da Mônica original. Aqui, o Cascão toma banho, o Cebolinha supera a dislalia (aquele probleminha de trocar os 'r' pelos 'l'), a Magali come com moderação e a Mônica fica altinha, magrinha e mais contida. Pra piorar, rola o maior romance entre o ex-pestinha Cebolinha (que, agora, chama-se só Cebola) e a ex-baixinha-gorducha Mônica. As histórias são, normalmente, produzidas em série (as histórias, normalmente, continuam na próxima edição); e Mauricio emprega o
estilo mangáde desenhar, com personagens de olhinhos grandes, como nos gibis japoneses. Apesar dos sustos que a novidade trouxe, de início, aos leitores, as revistas têm vendido muito bem.

- Personagens que não emplacaram: Mauricio de Sousa também não é infalível. Há uma lista razoável de personagens que não fizeram sucesso – alguns por razões até óbvias (falta de criatividade, por exemplo). São eles: Garotão, papagaio Palestrino, Boa-Bola, Mingão, Leonardo, Zé Palito e outros. Muitos deles apareceram, também, na edição especial
LOSTINHO: Perdidinhos nos Quadrinhos. Mas há uma boa referência nisso tudo: o personagem Nico Demo, um garoto endiabrado, com histórias carregadas de humor negro (bem diferentes dos demais personagens do Maurício). Não emplacou justamente por que, naquela época, os jornais consideraram suas tirinhas violentas demais (um óbvio exagero! Nos dias atuais, o personagem pode ser considerado um anjo).


SITE DA TURMA DA MONICA
Uma excelente referência pra quem quiser conhecer mais dos trabalhos de Mauricio de Sousa é o site: PORTAL DA TURMA DA MÔNICA. Lá, é possível encontrar tirinhas, historinhas completas, informações sobre personagens e muita coisa boa. Altamente recomendado... pelo menos, por mim.