Ao contrário do que muitos pensam, desenhar não é um dom de poucos privilegiados. É talento, sem dúvidas, mas que atinge a muitas pessoas. Apenas algumas não se dão conta disso, pois nunca se interessaram em estudar mais e se aprimorar nos traços.
Você, caro leitor, que diz não saber desenhar mais do que umas casinhas toscas e bonecos de palitinhos, pode ser um artista nato que ainda não se descobriu. Quando criança, todo mundo gostava daqueles seus desenhos mal-rascunhados e você só tirava notas boas nas aulas de Educação Artística. Mas foi só crescer um pouquinho, pra se desinteressar completamente pelas artes; e, agora, fica aí, dizendo que não desenha mais nada. Pense a respeito.
Não sou do tipo que se diga: “pô! Esse cara desenha demais!”, mas meus traços até que convencem bem. Quando criança, desenhava mal pacas; mas, por alguma obscura razão, todo mundo gostava. E o que antes era uma diversão, hoje virou uma profissão (sacaram a rima seleta?).
E você? Que tal parar de choramingar, achando que não sabe desenhar, pegar lápis e papel na mão e se desembestar a rascunhar, tracejar, esboçar, etc., etc., etc.? Não sabe por onde começar? Então, esta postagem é pra você.
Apresento-vos, meus amigos e minhas amigas, um mini-curso-intensivão-basicão de desenho pra você começar os primeiros treinos. Um passo a passo feito na maior boa vontade, com comentários e tudo o mais. E, como sou mais cartunista mesmo, vou direcionar os estudos mais pra área de quadrinhos, beleza?
Deixemos de enrolação!
MATERIAL
Pra mim, não há regras quanto ao uso de materiais; mas costumo trabalhar com lápis “HB” grafite preto, papel A4 90 g/m, canetinhas à nanquim “Desegraph” e uma borracha que, pelo menos, apague sem borrar. Vejamos porque:
- O papel A4 de 75 g/m é dos que mais se encontra no mercado e é mais baratinho. Porém, é muito mais fino e poroso que o papel de gramatura 90. Ou seja, é muito mais fácil de amassar e, pior, deixa esparramar a tinta nanquim pelos poros ao redor. Se for contornar o desenho com canetinha hidrográfica, então... prepare-se pra jogar o desenho final no lixo! Pra não correr certos riscos, aposte no papel A4 90g/m ou gramatura superior, ok?
- O lápis HB tem uma ponta muito mais rígida do que desses lápis escolares simples. Isso faz uma diferença enorme na hora de desenhar. Sério! Quanto mais rígida a ponta, maior a facilidade com que os traços serão executados no papel.
- E, se quer desenhar pra valer, não estrague tudo arte-finalizando a obra com canetinha tipo “hidrocor”! Essas canetinhas são de tinta á base de água (afinal, é “hidro”, certo?), um material muito sensível à luz, à poluição e à água. Deixe cair uma única gota d’água no papel e seu desenho foi pro saco!
Já a tinta nanquim... ah, a tinta nanquim! Verdade que é um pouco mais difícil de usar, além de que as canetinhas específicas pra isso são muito mais caras, mas a tinta é muito mais resistente! Seus traços ficam com um ar muito mais profissional e os desenhos duram uma eternidade, se bem conservados. A arte-final à nanquim também pode ser feita à pincel ou bico de pena. Fica muito mais bonito! Aposte nisso!
- Por fim, uma borracha boa, daquelas que, pelo menos, não borram, está de bom tamanho. Mas, sinceramente, nem sei o que recomendar. Não entendo quase nada de borrachas!
Só uma última dica deste tópico: saquem que a folha de papel A4 sempre tem um lado mais plano. É até fácil sentir, especialmente passando-se as mãos pelo lado mais poroso. Compare e, quando for desenhar, use o lado mais plano. Só um conselho de amigo. Fica mais gostoso de desenhar e, especialmente, para arte-finalizar.
RASCUNHOS
O rascunho é a fase inicial do desenho. Aqueles traçados que serão feitos apenas para sustentá-lo (alguns até apelidam este processo de 'esqueleto'). Servem mais como um estudo de como, afinal, vai ficar a arte. Um rascunho pode ter várias fases, cada vez mais complexas, até culminar nos traços finais.
Você pode rascunhar como quiser. Pra mim, não há um padrão. O importante é você entender o que está fazendo e visualizar o desenho final com o seu rascunho. Abaixo, alguns exemplos:
Você, caro leitor, que diz não saber desenhar mais do que umas casinhas toscas e bonecos de palitinhos, pode ser um artista nato que ainda não se descobriu. Quando criança, todo mundo gostava daqueles seus desenhos mal-rascunhados e você só tirava notas boas nas aulas de Educação Artística. Mas foi só crescer um pouquinho, pra se desinteressar completamente pelas artes; e, agora, fica aí, dizendo que não desenha mais nada. Pense a respeito.
Não sou do tipo que se diga: “pô! Esse cara desenha demais!”, mas meus traços até que convencem bem. Quando criança, desenhava mal pacas; mas, por alguma obscura razão, todo mundo gostava. E o que antes era uma diversão, hoje virou uma profissão (sacaram a rima seleta?).
E você? Que tal parar de choramingar, achando que não sabe desenhar, pegar lápis e papel na mão e se desembestar a rascunhar, tracejar, esboçar, etc., etc., etc.? Não sabe por onde começar? Então, esta postagem é pra você.
Apresento-vos, meus amigos e minhas amigas, um mini-curso-intensivão-basicão de desenho pra você começar os primeiros treinos. Um passo a passo feito na maior boa vontade, com comentários e tudo o mais. E, como sou mais cartunista mesmo, vou direcionar os estudos mais pra área de quadrinhos, beleza?
Deixemos de enrolação!
MATERIAL
Pra mim, não há regras quanto ao uso de materiais; mas costumo trabalhar com lápis “HB” grafite preto, papel A4 90 g/m, canetinhas à nanquim “Desegraph” e uma borracha que, pelo menos, apague sem borrar. Vejamos porque:
- O papel A4 de 75 g/m é dos que mais se encontra no mercado e é mais baratinho. Porém, é muito mais fino e poroso que o papel de gramatura 90. Ou seja, é muito mais fácil de amassar e, pior, deixa esparramar a tinta nanquim pelos poros ao redor. Se for contornar o desenho com canetinha hidrográfica, então... prepare-se pra jogar o desenho final no lixo! Pra não correr certos riscos, aposte no papel A4 90g/m ou gramatura superior, ok?
- O lápis HB tem uma ponta muito mais rígida do que desses lápis escolares simples. Isso faz uma diferença enorme na hora de desenhar. Sério! Quanto mais rígida a ponta, maior a facilidade com que os traços serão executados no papel.
- E, se quer desenhar pra valer, não estrague tudo arte-finalizando a obra com canetinha tipo “hidrocor”! Essas canetinhas são de tinta á base de água (afinal, é “hidro”, certo?), um material muito sensível à luz, à poluição e à água. Deixe cair uma única gota d’água no papel e seu desenho foi pro saco!
Já a tinta nanquim... ah, a tinta nanquim! Verdade que é um pouco mais difícil de usar, além de que as canetinhas específicas pra isso são muito mais caras, mas a tinta é muito mais resistente! Seus traços ficam com um ar muito mais profissional e os desenhos duram uma eternidade, se bem conservados. A arte-final à nanquim também pode ser feita à pincel ou bico de pena. Fica muito mais bonito! Aposte nisso!
- Por fim, uma borracha boa, daquelas que, pelo menos, não borram, está de bom tamanho. Mas, sinceramente, nem sei o que recomendar. Não entendo quase nada de borrachas!

Só uma última dica deste tópico: saquem que a folha de papel A4 sempre tem um lado mais plano. É até fácil sentir, especialmente passando-se as mãos pelo lado mais poroso. Compare e, quando for desenhar, use o lado mais plano. Só um conselho de amigo. Fica mais gostoso de desenhar e, especialmente, para arte-finalizar.
RASCUNHOS
O rascunho é a fase inicial do desenho. Aqueles traçados que serão feitos apenas para sustentá-lo (alguns até apelidam este processo de 'esqueleto'). Servem mais como um estudo de como, afinal, vai ficar a arte. Um rascunho pode ter várias fases, cada vez mais complexas, até culminar nos traços finais.
Você pode rascunhar como quiser. Pra mim, não há um padrão. O importante é você entender o que está fazendo e visualizar o desenho final com o seu rascunho. Abaixo, alguns exemplos:

Agora, um passo a passo de como desenhar um personagem de história em quadrinhos muito famoso, de nome Mutum (você conhece, vai!), que, por coincidência, é criação minha. Saquem só:
01. Aqui vai um pré-rascunho, mais básico possível. Apesar da simplicidade, já dá pra visualizar um personagem levemente arqueado, com as pernas cruzadas e a mão esquerda levantada:

02. Aqui, alguns estudos extras vão aprimorando os traços e tornando o rascunho mais bem elaborado, pronto pra fase seguinte:

03. Segue, então, os traços à lápis preto tipo HB, dando forma ao personagem:

04. Vem, então, a arte-finalização à tinta nanquim:

05. Por fim, é só apagar os traços que ficaram de fora dos “contornos” à nanquim e, voilá: o desenho está pronto para colorização!

OBS: o leitor, certamente, notou que usei lápis de cor azul para os rascunhos e grafite preto para o desenho final. O uso de lápis de cor azul para rascunhar é muito útil para não confundir o desenhista na hora dos traços finais e, especialmente, na arte-finalização, pois separa, claramente, os rabiscos que serão descartados dos traços que servirão depois para a arte-final. Mas, claro... nada há que o impeça de rascunhar e desenhar com o mesmo lápis.
NOÇÕES DE PERSPECTIVA
Poucas coisas estragam mais um desenho do que a total desobediência às regras da perspectiva. Errar um pouquinho ainda vai... mas dar uma de Picasso sem querer, deixando a perspectiva às favas, é usar o papel A4 para o mesmo fim a que se usa o papel higiênico. É uma cagada e tanto. Rob Liefeld que o diga (ou deveria dizer).
Mas acertar na perspectiva, nos mínimos detalhes, é um tanto trabalhoso. Há uma técnica utilizada que consiste em posicionar um ou vários “pontos de fuga” no desenho e ir traçando milhares de retas, à régua, a partir deste ponto. Verdade que é um tanto chato, mas dá certo! Saquem só:

Outra técnica é desenhar uma forma geométrica que melhor se encaixe com o desenho que você quer fazer, como nos exemplos abaixo:

A ideia de desenhar formas geométrica, além de ajudá-lo a não pecar na perspectiva, também está presente nos rascunhos. Especialmente quando se trata de desenhar objetos.
NOÇÕES DE SOMBRAS
Não nos esqueçamos das sombras, é claro! O desenho é, antes de mais nada, uma representação de objetos de nossa realidade. E os objetos têm sombras (na presença de luz, obviamente).
Sombrear exige um tanto de paciência. E quanto mais realista o desenho, mais paciente você deverá ser. Não tem segredo; é, apenas, trabalhoso. Basta imaginar que um foco de luz incide de um lado do objeto e sombrear do lado oposto. Na prática, isso consiste em começar a sombrear pelo lado mais escuro com as mãos mais pesadas, “carcando” o lápis mesmo, e ir deixando a mão mais leve, conforme a sombra for chegando nas partes mais 'claras' do objeto. Segue, abaixo, um exemplo:

Obviamente, se for pra arte-finalizar a nanquim o desenho com sombras, não é possível dar aquele efeito “degradê” que demos no quadro acima. A técnica é pintar integralmente as partes mais escuras do objeto e ir espalhando traços cada vez mais distantes entre si conforme for se aproximando das partes mais claras, dando a ideia de suavidade. Ok! Explicar é complicado! Segue, então, um exemplo:


Nos quadrinhos, especialmente nos cartuns, como tudo é muito mais simples, o sombreamento dos objetos é feito com, apenas, alguns tracinhos estrategicamente posicionados nas partes mais escuras:

OS MODELOS
Você não é obrigado a desenhar tudo “de cabeça”. Fotos são grandes aliadas do desenhista, especialmente quando se vai tentar esboçar alguma coisa que não fazemos a menor ideia de como fazê-lo.
Eu, por exemplo, não sei desenhar motos. Como resolver o problema? Usando uma foto, assim:


No caso acima, não me preocupei em desenhar todos os detalhes da moto do modelo. A ideia era, apenas, desenhar uma moto; não copiar, exatamente, o modelo. Com a mesma foto, aliás, posso desenhar uma motoca com traços mais simples, como nos cartuns. Saquem só:

Os modelos, também, oferecem uma boa visão de perspectiva, sombras e detalhezinhos diversos. Por isso, se quer se aprimorar pra valer nos traços, não hesite em copiar tudo o que vir pela frente!
E, por enquanto, é o fim do nosso intensivão! O resto é com vocês, pessoal! É treino, é aprimoramento, é paciência... Sim, o caminho é árduo! Mas, convenhamos: vale a pena!
Bons estudos!















